terça-feira, 9 de março de 2010

"Quem nos protege da bondade dos bons?"

Saiu no jornal Diário Catarinense de hoje uma entrevista com um dos militares que foram flagrados pelas lentes de um jornalista da RBS no exato momento em que espacavam um homem no bairro Coqueiros, em Florianópolis.
Com um discurso no melhor tom Capitão Nascimento, o militar disse ter agredido o tal homem porque este já era conhecido nos meios policiais como o "tarado do parque". Dizendo ter agido no intuito de proteger uma das vítimas do dito tarado, justificou-se ressaltando que a mulher lhe agradeceu, inclusive. Disse, ainda, que com a divulgação das fotos da agressão "o vilão da história passa a ser vítima".
Errou, mais uma vez, o militar. As vítimas somos nós, todos nós enquanto sociedade. Agindo como um típico justiceiro, a la Robin Wood, ignorou a razão de sua farda. "O poder que se serve não serve". A frase não é minha, mas exprime a mais pura função do poder estatal em um Estado Democrático. Que justiça estava o policial a aplicar naquele momento? Com certeza não aquela democraticaticamente estabelecida por todos nós através da lei. Poucas coisas podem ser piores em um Estado Constitucional do que "autoridades justiceiras" que, ignorando a verdadeira função social e política de sua existência, agem com anseios próprios, desconsiderando tudo a sua volta, criando uma espécie de ditadura às avessas.
Desastrosos também foram alguns comentários postados ao final da reportagem, onde leitores apoiaram a ação policial com frases do tipo: "Parabens para a Polícia. Vagabundo tem que levar um corretivo". É .... a cultura do "não faça para os outros o que não quer para você", uma das primeiras lições ensinadas no ambiente familiar, disseminada pelo professor Warat como a teoria dos corpos sucessivos, parece ter um longo caminho até cair na graça popular. Bom ... para quem quiser conferir a íntegra da reportagem, segue o link (http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default.jsp?uf=2&local=18&section=Geral&newsID=a2832587.xml). Abraços. Até.

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